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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fingindo que o racismo não existe!



A carta abaixo é o retrato de uma sociedade onde em sua maioria só existe a valorização do ter, do estar dentro de certos padrões sejam ele de aparência e classe social.
“O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras.”
Os nazistas são tão condenados, mas qual diferença deles pra essas pessoas que  discriminam aqueles que não são altos, magros e belos, aqueles eu tem uma religião diferente, que não tem a mesma escolaridade e classe social, aqueles que  tem uma orientação sexual diferente da deles, e até mesmo que torcem por times diferentes, vivem em estados, regiões e países diferentes, que tem cultura diferente. Eles  esquecem que todos são seres humanos que merecem ser respeitados.
Isso tudo se baseia numa cultura e numa educação onde os pais estimulam os filhos a uma competitividade que não é sadia, a se sentirem superiores acreditando e tratando os outros como inferiores, estimulando muitas vezes a agirem com violência física e verbal.
Hoje a sociedade em geral finge que não é preconceituosa mais o que vemos no nosso local de trabalho, nas ruas, na tv e na mídia em geral é uma realidade totalmente diferente.
Se não ensinarmos nossos filhos a ter amor e respeito pelo próximo, a gostar do que é diferente da gente estaremos na verdade criando adultos egoístas e mal educados.
Acredito que estas mudanças não possam acontecer da noite pra o dia e que temos que começar por nós mesmos para que possamos ter uma sociedade futura  de valores morais onde possamos viver em paz.
Beijos 
Sra. A.


" DO ÓDIO E DA IGNORÂNCIA: UM PAI DESTRUÍDO POR DENTRO
por Felipe Barcellos, quinta, 17 de fevereiro de 2011 às 01:12
 Bom dia,


Nunca imaginei que tivesse que viver na pele a dor de um cidadão agredido com sua família em um dia de festa.

Contra socos nos defendemos, mas contra o cerceamento do direito de ir e vir de uma criança devido a sua aparência, fica a raiva guardada por ter que conter a violência para não aumentar o dano emocional sofrido por minha filha. 

Eu só queria traze-la para casa, para que ela pudesse sentir-se segura novamente.

Escolhemos o quiosque Espaço OX, no Leme para comemorarmos o aniversário de 5 anos de minha filha mais nova, com amigos e familia, cerca de 20 pessoas. Reservamos e chegamos com as crianças as 19h00. Realizamos a comemoração comas minhas filhas, Lia e Dora, que durante todo o tempo brincaram nas dependências do quiosque as vistas dos funcionários.

Todos os convidados consumiram regiamente e pagaram suas despesas com tranquilidade.
Aos nos prepararmos para ir embora, as 22h30, a funcionária Loi impediu minhas filhas, Lia(9 anos) e a aniversariante Dora (5 anos) de entrarem no quiosque ao retornarem do banheiro.

O motivo: alegou que seriam crianças de rua, por serem negras e terem cabelos crespos. Para encurtar uma longa historia: minha filha mais velha, de apenas 9 anos, está em choque.

As alegações da funcionária não apenas são racistas e incidem em constrangimento ilegal e cerceamento do direito de ir e vir, como denotam a falta de atenção dedicada aos consumidores que frequentam o espaço. Vou entrar com medidas legais contra o estabelecimento e um processo por constrangimento ilegal, injuria, difamação e crime de racismo contra a funcionária.

Não queiram saber a dor de um pai ao vivenciar tais cenas em um dia de festa. A dor não vai embora quando fecho os olhos. Me vem a imagem de minha filha, minutos antes extasiada de alegria e em seguida chocada com uma realidade distorcida.

Estou sentindo muita dor. Uma dor que não vai embora.

A funcionária tinha a obrigação de observar quem estava na mesa mais numerosa do estabelecimento, estávamos minutos antes cantando parabéns e repartindo um bolo.

Impossível não ver a alegria que minhas filhas viviam em meio a amigos e família.

Loi estragou tudo com seu preconceito e despreparo para lidar com o publico. Precisa ser punida de forma exemplar.

Minha filha, uma crianca que é o que existe de mais valioso em minha vida, está DESTRUÍDA, achando-se culpada por não ter a aparência "certa" para poder ir e vir.

Espero que tal comportamento não seja uma norma do Grupo OX e da Orla Rio.

Esta carta está sendo copiada aos principais jornais do Brasil e publicações do segmento de turismo no Brasil e no exterior, em inglês.

Felipe Barcellos
Pai "